Especializado em produtos para mães e crianças, site ganha força no concorrido e bilionário mercado americano

zulily

A Zulily, um site americano com ofertas de produtos para mães e crianças, até o início de 2014, era apenas mais uma startup em busca do sucesso. Na tarde do dia 25 de fevereiro, depois de apresentar um relatório de desempenho para o mercado, tudo mudou. A empresa, fundada por Darrell Cavens, 41 anos, e Mark Vadon, 43, em 2009, deixou de ser pequena e entrou para o time das grandes do comércio eletrônico.

Os números foram os responsáveis pela mudança da Zulily, que vende sapatos, brinquedos, roupas e móveis. No relatório, a empresa explicou que vendeu US$ 700 milhões em 2013 – um crescimento de 110% em relação a 2012. E revelou aos investidores que o último trimestre de 2014 tinha sido o melhor da história da empresa. Os 3,2 milhões de clientes ativos da marca, que visitam a loja pelo menos uma vez por mês, gastaram US$ 257 milhões em compras.

Imediatamente, analistas e investidores começaram a recomendar as ações da Zulily na Nasdaq, a bolsa das empresas de tecnologia. E os papeis, que custavam em média US$ 40, subiram cerca de 100% – indo para a casa dos US$ 80. Hoje, cada um deles vale US$ 60.
Quando fundaram a empresa, tanto Vadon quanto Cavens não esperavam que em menos de cinco anos teriam um site bilionário com mais de mil funcionários. A Zulily, diz o investidor Jim Cramer, vale algo em torno de US$ 6 bilhões e tem potencial para conquistar uma importante parcela do e-commerce dos Estados Unidos – calculado em US$ 260 bilhões pelo Goldman Sachs.

Pedras preciosas

Até o momento, a Zulily captou cerca de US$ 400 milhões com investidores. O mercado, no entanto, não se empolga apenas com os números, mas com o jeito como a loja virtual trabalha o comércio eletrônico, diz a consultoria Dealogic.

A homepage da Zulily apresenta um novo conceito. Todos os dias tem um design diferente e exibe cerca de 60 produtos novos – todos eles de acordo com o perfil da clientela. O conceito fideliza os consumidores, principalmente os curiosos, que voltam diariamente para ver se há algo novo para comprar.

A Zulily tem uma outra característica simples, mas original: as fotos. Elas são produzidas pela própria pontocom em 35 estúdios, espalhados pelos Estados Unidos. O time de modelos da loja virtual, composto por bebês, crianças e mulheres, veste os produtos. Os clientes, portanto, conseguem verificar pelas imagens como é o caimento das roupas. O detalhe, diz a consultoria, passa uma imagem de credibilidade.
Zulily: empresa exibe detalhes do caimento das roupas (Foto: Divulgacão)Zulily: empresa exibe detalhes do caimento das roupas (Foto: Divulgacão)

O gestor por trás dessas ideias é Cavens, um homem que prima por mostrar a real qualidade de um produto na tela do computador. Ele trouxe a ideia da Blue Nile, uma revendedora de joias preciosas pela web, onde trabalhou por dez anos como executivo de várias áreas. As fotos dos anéis, brincos e diamantes oferecidos no e-commerce devem retratar os detalhes dos diamantes, afinal, os consumidores são exigentes e precisam saber a qualidade das peças antes de gastar uma fortuna.

Cavens também gosta de engrenagens bens ajustadas. Antes de estrear a Zulily, ele participou do processo de desenvolvimento da parte técnica e dos processos da empresa. O trabalho com a equipe de desenvolvimento integrou, de forma eficiente, os sistemas de estoque e venda. E é com a tecnologia que a loja virtual consegue montar, da noite para o dia, a lista extensa de ofertas.
Darrell Cavens, CEO da Zulily: experiência na Microsoft e Blue Nile (Foto: Divulgacão)Darrell Cavens, CEO da Zulily: experiência na Microsoft e Blue Nile (Foto: Divulgacão)

O CEO quis executar a tarefa por saber que tecnologia, no caso de uma loja virtual, faz toda a diferença. Ele teve o aprendizado na Microsoft, quando trabalhou em um time de sistemas para internet. No pouco tempo que ficou na empresa fundada por Bill Gates, ele descobriu que muitas empresas pontocom, que tiveram um desenvolvimento ruim na parte técnica, não conseguem até hoje integrar os sistemas de estoques e vendas. E por isso realizam algumas tarefas de forma manual que criam problemas de competitividade. Cavens usou a experiência para não enfrentar o mesmo mal na Zulily.

Apesar de bem resolvida na parte técnica e estética do site, a Zulily tem alguns desafios. Um deles é na questão da entrega. Algumas encomendas demoram até 10 dias para chegar na casa do cliente. Como os Estados Unidos têm um eficiente sistema de logística, o prazo pode ser considerado uma oportunidade.

Outro é o desafio do crescimento, diz a consultoria Dealogic. A Zulily tem que contratar mais profissionais, tanto para dar conta do crescimento no mercado local e na expansão para outros países. A empresa precisa ainda de especialistas para manter e melhorar a qualidade dos processos com clientes, fornecedores, estoques, depósitos e tecnologia. Mas para conseguir essas pessoas, Cavens precisa investir em pacotes de incentivos. Tem ainda que pensar numa maneira de promover os funcionários mais velhos da loja virtual, cujo trabalho é sondado por concorrentes. Durante o anúncio do resultado da empresa, Cavens assumiu os desafios e afirmou que eles são um teste para a empresa, pois vão aumentar o custo operacional e a organização do trabalho.

Cavens mostrou do que é capaz e fez um site promissor virar um dos maiores dos Estados Unidos. Resta saber se ele vai escrever seu nome no rol dos grandes empreendedores da internet.

 

Fonte: globo.com